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Por que Pantera Negra?

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Qual a razão da comoção com o filme Pantera Negra?

O que tem nessa produção que movimenta campanhas para levar jovens ao cinema, bem como provocar debates acalorados? Minha resposta seria a identidade, a possibilidade do jovem negro se identificar, não somente com o herói, mas com praticamente todo o elenco, homem ou mulher.

Uma civilização negra, situada no coração da África, que possui as maiores tecnologias da humanidade e terra de homens e mulheres com qualidades incomparáveis. Isso nunca tinha sido sequer imaginado na sétima arte. Por si só, isto já traria comoção, porém, seria pequeno da minha parte diminuir a questão a somente esta perspectiva.

O filme também deve ser exaltado pela empatia que provoca no jovem negro, e uma empatia benéfica quando o herói desconstrói os estereótipos normalmente encontrados em personagens de origem africana: o selvagem, sem instrução, sem coração e desprovido de vontade própria para suas lutas, sempre dependente de algum estrangeiro para ajudá-lo.

O Pantera Negra é diferente,

personagem do ator ChadwickBoseman, o qual é um rei, inteligente, estrategista, com habilidades incomuns, além de ser detentor de conhecimentos de tecnologias avançadas. Ou seja, traz ao imaginário infantil, novas e diferentes expectativas nunca antes expostas a esse público.

Traçando um paralelo ao nosso cotidiano, o quanto é importante saber de onde viemos, onde estamos e principalmente onde queremos ir. Ocorre que, sem saber de onde viemos (a escravidão nos tirou isso), sem saber onde estamos – se estamos na metade do caminho ou no fim da nossa jornada – é praticamente impossível saber para onde vamos.

É necessário ampliar o conhecimento, “abrir a cabeça” dos jovens, e a arte é a melhor ferramenta para tal fim. A arte é provocativa, instigante e inovadora. Talvez estejamos em um novo tempo, superando épocas de filmes como “Estrelas Alem do tempo” (Hidden Figures), onde o negro lutava por espaço e valorização de seus méritos. Chegou o momento de sermos os protagonistas detentores do poder.

Será que após assistir ao filme eu me sentirei como um “herói com superpoderes”?

Talvez não, mas quem sabe me sinta como alguém que pode conhecer mais, ter mais autoestima, que pode realmente ir mais além. É de extrema importância ver exemplos de sucesso para se espelhar.

Ter um presidente negro fez diferença para os Estados Unidos da América? Suspeito que sim e tenho certeza de que fez o jovem negro americano saber que não podem colocar limites nos seus sonhos, podendo inclusive ocupar o posto mais poderoso da nação. Da mesma forma, considero que o personagem Pantera Negra colabora na afirmação de que você pode ser muito mais e como exposto no filme pela personagem Nakia: “você deve decidir que tipo de rei será”.

Mas independente do que eu, como idealizador, tenha imaginado, a ação foi para impactar os jovens, que ainda em formação carecem dessa perspectiva. E ao final do filme ficou claro que o objetivo foi atingido. Seja pelas palmas empolgadas, ou pelo brilho do olhar estampado no rosto. A única questão que fica sem resposta; é quem de fato saiu ganhando com a ação, se eu ou as crianças.

 

Rafael Xavier e Heleno Garay

Rafael Xavier e Heleno Garay

 

 

Texto de Heleno Garay,

que em ação, junto com Rafael Xavier, na última quinta – feira (08/03/2018), levou 110 crianças para assistir o filme “Pantera Negra” (Black Panther), no Shopping Praia de Belas em Porto Alegre – RS.

As instituições que participaram da ação são: Tinga Reciclagem Digital, que arrecada computadores antigos para ajudar as criançasno ensino de computação, Centro Infanto Juvenil Monteiro Lobato.

Ainda tiveram como paceiros a CDN Comunicações e GNC Cinemas

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