Gastronomia

Fechamento do Paris 6 | Porto Alegre

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Galera, essa guria é um fenômeno. Olha o texto que a jornalista Fefa Vaz escreveu sobre o anúncio do fechamento do restaurante Paris 6 em Porto Alegre.

Sobre o fechamento do Paris 6:

Concordo em grande parte que o povo gaúcho é fechado para o novo, e vários empreendimentos desse tipo acabam abandonando a cidade. Isso afasta grandes empresários da ideia de investir na capital gaúcha, o que é uma merda pra economia do estado, e, consequentemente, uma merda pra nós. O RS segue quebrado, e isso nos afeta diretamente.

Mas, talvez, quem sabe, esses mesmos grandes empresários (e agora me refiro também aos próprios gaúchos empreendedores) se dêem conta de que, aqui, pagar caro pra não ser bem servido, não comer bem, ou não ter um bom atendimento não vinga. Ah, mas da certo no Rio e em São Paulo? A rotatividade lá é imensa, sem contar o fator turístico. Aqui tu precisa cativar o cliente, porque tu ganha grana é com o frequentador assíduo. No Rio, por exemplo, quem vai toda semana no P6 é quem tem nome de prato e come de graça, e quem vai pra tirar foto com quem tem nome de prato. O pessoal que dá nome ao cardápio não passa por aqui. 🙄

Nem sempre o problema é o novo, ou o preço, mas o fato de fazer fortuna as custas de gente bobinha atrás de status tem prazo de validade. Era de se esperar que não duraria muito àquelas filas de espera gigantescas por um prato de strogonoff com batata palha custando mais de 70 reais. Vender só picolé mergulhado na nutella não paga as contas na Padre Chagas, né gente?

Vai dizer que tu não conhece um sushi aqui de Porto, por exemplo, que cobra tipo 150 mangos pra comer peixe cru enfeitado, sem o menor atrativo, sem um atendimento diferenciado, em que tu espera horas pra ser atendido, e que tu pense que tem experiência melhor quando vai no Mc Donald’s do shopping?

Em compensação, não tem também aquele de quase o mesmo valor, em que tu te sente valorizado quando entra no lugar, pela simpatia dos atendentes, pelo interesse da casa de que tu tenha um bom jantar, pela qualidade do peixe, variedade do cardápio, e que tu paga até os 10% com satisfação na hora de fechar a conta?

Eu poderia até dar nome aos bois, mas não tem necessidade. Mas agora eu te pergunto: tu acha que esse segundo tem a ideia de fechamento como opção? E o primeiro? Que apela pra promoções de todos os tipos e a casa ta sempre vazia, agora que passou a febre?

Usei sushi como exemplo porque é descolado, mas o mesmo serve pra marcas de roupas mundialmente famosas, que são conhecidas por ter preços populares e chegam aqui como se fossem peças apresentadas na semana de moda de Milão. Eu sei, eu sei, os malditos impostos, mas àquelas que conseguem jogar com isso estão bombando lindamente.

Talvez o gaúcho seja mesmo quadrado, fechado pro novo, mas também não gosta de ser passado para trás. Se não tá fácil pra eles, imagina pra quem não é dono de nada? O check in no Insta só por puro glamour e likes tem prazo de validade mesmo.

Texto by Fefa Vaz@fefavaz7

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